O país que sonhamos

Quarta-feira, 19/04/2017, às 06:00
Perpassa pelas gerações que “o Brasil é o país do futuro”. Visto pelos analistas econômicos, um raiar no horizonte. Na ótica dos oprimidos e desempregados, imensa escuridão, esperança zero de ver a luz. E as razões últimas fazem sentido quando se depara com a “delação do fim do mundo”, mencionando, com riqueza de detalhes, a engenharia do “toma lá da cá” de dezenas de personalidades, advinda da maioria dos partidos e de seus apadrinhados. Quando se ingressa no serviço público, quer seja efetivo, comissionado ou por referendo popular, o juramento ou o compromisso assumido é o de zelar pela coisa pública.

Praticar a honestidade é questão “sine qua non”, indiferentemente da posição que se ocupa, da menor à mais graduada. Quando se diz que a sociedade é quem paga os detentores de cargo ou função pública (deste colunista e de outros milhares de servidores) comunga-se da premissa de que a missão abraçada tem que ser cumprida à risca.

Numa das primeiras campanhas do Ministério Público, em parceria com a Secretaria da Fazenda e outras entidades a respeito da corrupção, constava expressa a forte frase: “Corrupção é crime. Corrupção mata”. Sem comentários. Provas cruéis estampam a mídia nos desvios de verbas públicas via caixa 2, superfaturamento e outros mecanismos ardilosos. Os resultados podem ser comprovados na precariedade da saúde, educação e segurança, só para ficar nesses tópicos.

Os reflexos

Recentemente o Etco – Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial – lançou a campanha “O Brasil que nós queremos”. Em se tratando do combate ao contrabando, este causa anualmente prejuízos de R$ 130 bilhões. Fazendo um paralelo, lança-se o desafio aos brasileiros corretos na hora do voto, de escolherem líderes verdadeiros, livres de quaisquer suspeitas. Cabe aqui a célebre frase atribuída a Pompeia, mulher do imperador César: “Não basta ser honesto, tem que parecer honesto”. Geridos por pessoas comprometidas com o bem comum, sigamos em frente em busca do país dos sonhos.

Punição na pele

O “prende-e-solta” de criminosos também tem provocado discussões, inclusive com propostas de se alterar artigos do Código Penal (1940). Os que participam da delação premiada levam vantagens, com redução de penas, liberdade vigiada, em suas mansões, monitorados com tornozeleiras eletrônicas, aguardando os vereditos. Os que gozam da liberdade por conta de delação, caso for constatado que estão mentindo em seus depoimentos, perdem os direitos e retornam à prisão. Será que algum delator se aventuraria jogando tudo por água abaixo? Fica a pergunta. No Mato Grosso, por vários crimes e também pelo não cumprimento de contrato referente às obras da Copa de 2014, figurões da política local dividem as selas com presos comuns. Lembrando que os “chamuscados”, mas não condenados, têm amplo direito de resposta e do contraditório. No jargão popular: quem não deve não teme. Que fiquem atentos os que não foram citados, pois nova lista contendo nomes deve aflorar a qualquer momento. Outro remédio amargo que não deve ser desprezado, aplicado nas condenações pelo juiz Sérgio Moro, é o confisco dos valores e bens usurpados. Esses larápios, ao encararem o estado original quando do ingresso na função ou cargo público (a maioria com renda limitada), sentirão na pele o peso da punição.

O exemplo

Quem gerencia deve espelhar-se nos modelos de sucesso do passado, aperfeiçoá-los e aplicá-los no presente para surtir os efeitos no futuro. Em se tratando de verba pública, muito mais. Cada centavo de imposto arrecadado deve ser direcionado às causas constitucionais. O bom exemplo herda-se de berço, adquire-se na escola e sociedade. Do contrário, com corretivo.  “No relho”, como diz um grande amigo.

Refletindo

“Aos primeiros e verdadeiros donos das Terras de Santa Cruz, nossas desculpas e nossas homenagens. Salve 19 de abril.” Uma ótima semana!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *