As lições das cicatrizes

Quarta-feira, 30/11/2016, às 06:00

Muito mais do que os anéis, a crise já consumiu os dedos e em muitos Estados e municípios as próprias mãos.

É preciso que governantes desçam dos palanques e caiam nas estradas reduzindo os custos e incrementando as receitas. Fazer o mesmo ou muito mais com menos recursos tem sido a receita para enfrentar os mares turbulentos da recessão. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, vem afirmando sobre a necessidade de se enfrentar os embates que tratam sobre os ajustes, como os previstos na bombardeada PEC 241, aprovada na Câmara, a caminho do Senado.  Para Meirelles, “todos os brasileiros, sejam consumidores, trabalhadores, empresários, governos dos Estados, dos municípios e federal, estão tendo problemas financeiros graves, produtos da crise econômica que leva à queda da arrecadação, do faturamento etc…”. E prossegue: “A solução para todos está no aumento da atividade econômica, que vai levar ao aumento da arrecadação”. A receita, então, está em “controlar o déficit público federal, que é a raiz de todos esses problemas”, finaliza.

Além de perder os dedos, o paciente está acometido de infecção generalizada. É preciso de especialista para submetê-lo a tratamento rigoroso e, caso necessário, cirurgia ou até amputação de membros. As marcas das cicatrizes, quando curado, servirão de recordações e lições para não cometer os mesmos erros e quedas, evitando acidentes.

Sem Refis

Na última década, o expediente do Refis virou moeda de troca entre contribuintes e poder público. De um lado, inadimplentes em dificuldades de atualizarem suas contas perante o fisco. Do outro, o Estado em busca de incremento de receitas para viabilizar seus projetos políticos e sociais. Esses programas trazem vantagens às empresas permitindo renegociação das dívidas, aliviando-as com pagamentos a perder de vista com redução de multas e juros, quando não os zerando. Há quem atrase aguardando o próximo Refis. Para quem paga em dia, o questionamento: por que sou punido, pagando à vista, sem desconto, sem taxas favoráveis, enquanto outros atrasam e livram-se ainda de multas e juros e com prazos dilatados? Um contrassenso, na verdade reiterado pelo ministro Henrique Meirelles: “É fundamental que não haja neste momento nenhum incentivo a esse tipo de concessão, inclusive, porque a experiência recente do Brasil mostra que esse expediente de Refis, isenções e desonerações, exaustivamente usado nos últimos anos, não aumentou a atividade econômica. Acho que já chegamos ao limite para isso”. Aguardemos, pois.

Gestão de Pessoas

Acontece de hoje até sexta, em Natal-RN, a 59ª reunião do GDFAZ – Grupo de Desenvolvimento do Servidor Fazendário, quando as equipes darão seguimento à elaboração de manuais digitais sobre temas relacionados à gestão de pessoas a serem apresentados no Confaz e disponibilizados aos Estados e Distrito Federal. Oportunidade onde serão compartilhadas as melhores práticas de cada unidade federada e os cases de sucessos realizados. Na próxima coluna, detalharemos os temas discutidos.

Capacitando políticos

Interessante a iniciativa do Tribunal Regional Eleitoral de SC, em parceria com a Assembleia Legislativa, lançar o Projeto Qualifica. Seu objetivo é promover ações de qualificação dos prefeitos e vereadores eleitos no último pleito. O evento tem a participação da ENA – Escola de Governo e da Udesc – Universidade do Estado de SC. Uma bela iniciativa, porém é preciso que ponham a teoria em prática. Que tal a sociedade cobrar o dever de casa daqui há quatro anos?

Refletindo

“Contemos as bênçãos que nos são concedidas e não as nossas contrariedades”. Uma ótima semana!

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