Um voto de confiança

confiança

Quarta-feira, 18/05/2016, às 06:00

Nos últimos tempos a palavra “procrastinar” tornou-se símbolo de desleixo, mas em bom português ela significa adiar. O verbo transitivo direto encaixou-se como uma luva nas ações demandantes de governos populistas, os mesmos que pretendem parecer simpáticos a qualquer preço, custe o que custar.

No linguajar popular, procrastinar é enrolar, empurrar com a barriga, principalmente quando o lado do poder tem influência político-financeira. A ascensão de Temer como presidente em exercício, para ter sucesso, não poderá usar os subterfúgios dos antecessores. Vai ter que utilizar todos os mecanismos disponíveis para enfrentar a crise herdada da presidente afastada Dilma, principalmente no estrago econômico. Há quem aposte no insucesso, do quanto pior melhor, como se vivessem em outro planeta. São os mesmos que torcem para que o comerciante vizinho quebre. Esquecem que uma porta a mais fechada resulta em menos pessoas circulando e comprando. Na sequência, menos geração de emprego, renda e impostos. No círculo vicioso chegam à falência eles e depois… você.

Quem tem poder de barganha está na dúvida, inseguro, não investe. Restabelecer a confiança dos investidores e manter os programas sociais, coibindo os abusos, está entre as metas do novo governo. Até a criação temporária de imposto não está descartada, dependendo do tamanho do rombo.

Vai se ouvir o bater de panelas por todos os lados. Mas há que se sacrificar mais uma vez. Ou se continuará a viver na insegurança ou se aposta em possibilidades de melhorias. Mas o governo vai ter que fazer o dever de casa, o mais com menos, cortando na própria carne, como na redução dos 32 para 23 ministérios, se quer o voto de confiança da sociedade.

Materiais de construção

Contribuintes andam perplexos com as investidas do fisco no setor de materiais de construção. Desta feita foi nas argamassas. Num comparativo entre os revestimentos cerâmicos e o material para assentamento, constataram comercialização reduzida do segundo em relação ao primeiro. Tem piso, azulejo e congênere sendo assentado, digamos, sem o produto. Claro que não existe a possibilidade. Sem milagre. Ocorre que os vendedores não estão emitindo o documento fiscal na operação e os compradores, pasmem, tampouco estão solicitando o documento fiscal para não extrapolarem o faturamento, permanecendo nas faixas da microempresa ou empresa de pequeno porte.

Exclusão do Simples

O preço será muito caro. Se confirmados os indícios, os estabelecimentos estarão sujeitos à aplicação de multas que podem chegar a 30% do valor das mercadorias e possível encaminhamento da investigação ao Ministério Público. Também a prática reiterada de compra e venda de mercadoria sem documento fiscal pode acarretar a exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional.

Cupom fiscal

As operações de fiscalização no varejo não se restringem à atividade do setor. Os auditores fiscais também verificam a regularidade cadastral, a obrigatoriedade e o uso de equipamento emissor de cupom fiscal (ECF), a emissão de cupom fiscal, a instalação de programa aplicativo fiscal oficial (PAF-ECF) e a correta utilização e integração de equipamentos de automação comercial, com enfoque no uso de cartões de crédito e débito. Nos trabalhos realizados nas regionais de Itajaí, Joinville, Tubarão e Criciúma, os estabelecimentos também foram intimados a apresentar arquivos extraídos dos ECFs em uso. Mais uma vez o alerta da coluna aos empresários. Atendam ao chamamento do fisco. Não ignorem os avisos e as orientações dos profissionais da contabilidade.

Refletindo

“Existe uma grande diferença entre conversar com alguém que está escutando para entender e conversar com alguém que está escutando para discutir.” Russell Bishop. Uma ótima semana!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *