Criando cobra no quintal

criando cobras

Quarta-feira, 29/04/2015, às 06:00

E veio à tona mais um escândalo. Alguma novidade? Quando em muitos casos o público se mistura com o privado e vice-versa, devido às indicações por pressões políticas de apadrinhamento etc. e tal; nenhuma. A contestação é livre, mas antes não se investigava assim? Pouco importa, ou melhor, o que importa mesmo é que tem peixe graúdo fisgado pelas guelras e que está se debatendo. Se soltar? Volta à vida normal, nadando em águas mansas e profundas. A força-tarefa que atua na Operação Zelotes, essa de que se está comentando, tem sob sua responsabilidade 230 mil e-mails e 2.300 horas de gravação para desvendar o suposto esquema de corrupção do Conselho de Recursos Administrativos Fiscais (Carf). O Tribunal Administrativo, da Receita Federal do Brasil, a mesma que não dispensa do assalariado a fatia de retenção na fonte.

Inicialmente, a Polícia Federal identificou prejuízo de cerca de R$ 6 bilhões, mas o valor das fraudes pode chegar a R$ 19 bilhões.

Diante de tanto barulho do esquema de tráfico de influência para anular ou rebaixar multas, o Ministério da Fazenda submeteu à consulta pública a proposta de reestruturação do órgão. As medidas têm como objetivo melhorar a gestão do Conselho, aumentar a velocidade das decisões e fortalecer a transparência e o controle do órgão. O óbvio.

Que o Conselho possa rever toda a injustiça praticada, revertendo as decisões que garfaram a Viúva, eliminando as cobras no quintal.

Partilha do ICMS

Mexer em vespeiro e cutucar onça com vara curta não é tarefa para aventureiro desarmado. É um processo que requer preparo, muita artimanha para enfrentar quem se sente encurralado. E é da experiência e da convivência do trabalho diário, no entender da coluna, que levou o auditor fiscal Luiz Carlos de Souza a escrever o artigo “Partilha do ICMS: a Conveniência do Cálculo do Valor Adicionado na Partilha do Imposto para os Municípios Catarinenses”. Ao verbalizar a metáfora acima, nada mais foi do que como o próprio autor vem afirmando. “A atual legislação impõe que seja dado maior repasse ao município que arrecada mais, o que em minha opinião leva à concentração de renda”. E prossegue: “Mais da metade dos municípios catarinenses depende dos 15% de ICMS repassados com base no movimento econômico”. A ousadia o colocou dentre os finalistas de 49 trabalhos inscritos. Sob o olhar enviesado dos que mais arrecadam, Souza já pode se considerar um Robin Hood da partilha. É o começo.

Solidariedade com Xanxerê

Até os tidos durões se curvam à dor nas tragédias onde vidas são ceifadas e seus bens destruídos em minutos, quando levam décadas para conquistar. Os dois exemplos trágicos – um bem próximo, Xanxerê-SC e arredores, e outro no Nepal, na Ásia – são provas de que a solidariedade talvez seja o maior alento diante de situações como essas. Ela pode vir de várias maneiras. Do poder público, como no caso do governo, em prorrogar o prazo de pagamento do ICMS às empresas normais; da liberação de verbas (FGTS/Fundos) para obras emergenciais; da doação de materiais, alimentos, medicamentos à população atingida; pelo envio de militares e voluntários para readequar à digna habitabilidade; do afago dos governantes em visita ao local afetado; enfim, de muitas maneiras, como a doação em espécie feita pelo Sindifisco e por tantas outras organizações. Enquanto existem poucos querendo mais pela ganância, como no caso dos corruptos e corruptores da Lava-Jato, muitos contentam-se com o quinhão que recebem, mas que os tem confortado na dura realidade. Nessa hora de dor, que cada um possa estender a mão, dentro das possibilidades, solidarizando-se, aquecendo e confortando a quem tanto necessita.

Refletindo

“A maneira mais eficiente de gerir a crise é estar em movimento permanente, aprendendo, inovando e incorporando novas competências o tempo todo. Na gestão e na carreira, acomodação é pecado mortal.” Eugênio Mussak, Revista – Você SA/abril-15. Uma ótima semana!

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