É dando que se recebe

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É dando que se recebe

Em recente pronunciamento ao povo brasileiro, a presidente Dilma demonstrou firmeza nas palavras e chamou para si as responsabilidades, como se em campanha estivesse. Aliás, político jamais desce de palanque. Quando não culpa o antecessor pelos obstáculos e as dificuldades em realizar obras, culpa o Legislativo ou crava em outro bode expiatório.
Voltando à presidente, às vésperas do primeiro de maio. Ousou em defender o combate à corrupção, diga-se de passagem; vinha tão bem quando detonou seis dos seus ministros por denúncias de irregularidades na gestão, substituindo-os, sem constrangimento dos seus pares. Com o cerco se fechando e comprometida com companheiros próximos, por sinal, envolvidos até o pescoço, naturalmente o discurso foi perdendo força. E no jargão do “não sei de nada”, a sujeira, que antes era varrida para a rua, foi reduzida à poeira depositada sob o tapete.
Mas como num bom espetáculo a plateia pede bis, a luta contra a corrupção precisava ecoar. E o fato foi referendado na fala da chefe da nação, em rede nacional de televisão. “O que envergonha um país não é apurar, investigar e mostrar. O que pode envergonhar é varrer tudo para baixo do tapete. O Brasil já passou por isso no passado e os brasileiros não aceitam mais a hipocrisia, a covardia ou a conivência”. E foi além. Garantiu a 36 milhões de brasileiros que vivem do Bolsa-Família reajuste de 10%; à classe trabalhadora, a valorização da política do salário mínimo e à classe média, a correção da defasada tabela do Imposto de Renda 4,5% (abaixo da inflação do período 6,5%) a partir de 2015. Apostando no sucesso do “pacote de bondade”, passou a borracha no passado, pensando no outubro.
A ideia segue as palavras do evangelista Lucas no início do versículo 38, capítulo 6: “Dai aos outros e os outros vos retribuirão”. Mas estrategicamente elaborado, o “pacote de bondade” remete às palavras de São Francisco de Assis, o protetor dos animais, na oração pela Paz, cuja data, por coincidência, se comemora em 4 de outubro, vésperas do primeiro turno. “Pois é dando que se recebe”. Então, ta!

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