Cronograma pra inglês ver

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Cronograma pra inglês ver

A euforia inicial pela jogada de marketing do ex-presidente Lula em sediar o Mundial de futebol 2014 e as Olimpíadas 2016 começa a preocupar quando se trata de prazo de entrega dos estádios. Não teria razão o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, ao usar o termo chulo de que o Brasil precisava de “um chute no traseiro” para acelerar o ritmo das obras? O mandatário da organização, Joseph Blatter, na sua “permanente” participação em quarenta anos, afirma que jamais presenciou situação semelhante. Mas, se comparar com as últimas 4, ficamos atrás até da desacreditada e por fim realizada no continente africano. Onde, então, erramos?
Pouco importa se no planejamento, na execução ou na conclusão. Os erros e defeitos são gritantes, fazendo usuários perderem a esperança e a paciência. Enlameiam a credibilidade dos gestores públicos e suas políticas adotadas, já em baixa. Sobre a expressão “para inglês ver”, há uma versão que reporta ao século 19 quando a Inglaterra exigiu o fim do mercado de escravo por Portugal que, em obediência, editou uma lei. Como jamais foi cumprida, passou-se a denominar fatos não concretizados com o popular jargão. Não se precisa ir muito longe para se deparar com os exemplos, basta percorrer a rodovia mais importante do Mercosul, a BR-101, que põe por água abaixo o seu principal ideal: o de abrir passagem aos vizinhos castelhanos e irmãos gaúchos e o transporte das riquezas rumo ao Norte do país, enfrentando os gargalos nas filas quilométricas. Chega-se ao cúmulo de se concluir a rodovia para depois iniciar os projetos da ponte de Cabeçudas (Laguna) e o túnel do Formigão (Tubarão). O que falar do Morro dos Cavalos (Palhoça)? Enquanto as autoridades não se entendem sobre a viabilidade de uma quarta pista, vidas são ceifadas.
As encrencas persistem. Saindo do federal para os Estados, se depara com problemas de toda ordem. Por aqui as discussões chegam à infraestrutura: quarta ponte, transporte marítimo, metrô de superfície e a velha Hercílio Luz resistindo e, há anos, em reforma. Assim mesmo, em pleno verão com a cidade superlotada, o trânsito caótico passou a ser secundário. O fator principal das reclamações parou na falta de água e luz nas residências e estabelecimentos comerciais (restaurantes, hotéis e congêneres). E avançam. Chegando às prefeituras, Câmara de Vereadores, comunidades, na família e, finalmente, no indivíduo. O ano que se inicia tem que se balizar em projetos concretos. Não importa a sua dimensão, mas é preciso que se mantenha o foco para que a sua conclusão aconteça dentro do cronograma proposto, ou seja: que seja cumprido na íntegra. Não naquele para inglês ver.

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